Olá, sou o Gonzalo 👋
Esta é a edição número 50 de O Caminho da IA. Cinquenta encontros pensando em voz alta sobre hotelaria, tecnologia e o ofício da hospitalidade.
Obrigado por me acompanhar até aqui. Hoje trago um aprendizado de todo esse caminho, uma opinião que talvez te incomode, um prompt prático e uma pergunta que me repetem com frequência. Vamos começar.
🌟 50 edições depois: a ferramenta muda, o ofício não
Quando repasso estas 50 edições, vejo um desfile de novidades: modelos de inteligência artificial cada vez mais capazes, canais novos, funções que dois anos atrás pareciam ficção científica. A tecnologia avançou a uma velocidade enorme, e vai continuar avançando.
Mas tem uma coisa que não mudou em nenhuma das 50 edições: a hotelaria continua sendo um negócio de relações. E isso não é só uma intuição minha. Os relatórios do setor mostram que o viajante atual valoriza cada vez mais a confiança e o vínculo acima do preço, e que o hotel deixa de ser um simples lugar para dormir para se tornar uma experiência. Em outras palavras, enquanto a tecnologia avança, o humano se torna mais valioso, não menos.
Esse é, talvez, o maior aprendizado deste caminho: a tecnologia não vale por si mesma, vale pelo que ela permite que você faça melhor com os seus hóspedes. A IA que serve é a que devolve tempo para receber bem, responder a tempo e cuidar da relação.
Obrigado por fazer parte destas 50 edições. Vamos pelas próximas 50.
🔥 Opinião sem filtro: pare de competir só por preço
Vou te dizer uma coisa que sei que incomoda, principalmente quando o mês vem devagar. O instinto quase sempre é o mesmo: baixar o preço para não ficar para trás. Parece lógico, mas costuma ser uma das decisões mais caras que um hotel pode tomar.
E não sou só eu que digo. Os especialistas em pricing coincidem em vários pontos: as guerras de preços corroem diretamente as margens e freiam a diferenciação; os descontos frequentes acabam desvalorizando a marca e acostumam o hóspede a esperar sempre uma tarifa mais baixa; e baixar o preço cedo demais costuma atrair uma demanda menos rentável, além de enfraquecer a percepção de valor da hospedagem. É um círculo do qual depois custa muito sair.
A saída que os especialistas propõem não é o preço, é o valor. Em um mercado saturado, o hotel que sobrevive não é o mais barato, e sim o que melhor se diferencia pela experiência, pelo serviço e pela relação com o hóspede. Aliás, fala-se cada vez mais em definir preços conforme o valor percebido pelo cliente, não conforme o que o vizinho cobra. E há uma tendência de fundo que confirma isso: o novo viajante prioriza a confiança e as recompensas acima do preço.
Minha opinião: competir para ser o mais barato é uma corrida para o fundo que quase ninguém ganha. A pergunta não é «como eu baixo a minha tarifa?», e sim «como eu deixo evidente tudo o que o meu hotel oferece e que justifica o que ele vale?». Aí está o negócio sustentável.
⚡ O prompt de hoje: descrições de quartos que vendem a experiência
Na edição passada vimos um dado revelador: o hóspede escolhe cada vez mais um quarto superior em vez do padrão, quando sabemos mostrá-lo. E muitas vezes o que falha não é o quarto, e sim como o descrevemos: uma lista fria de características («cama king, TV, ar-condicionado») não transmite o que se sente estando ali.
Este prompt te ajuda a transformar essa lista em uma descrição que vende a experiência. Copie e complete com os dados do seu quarto:
«Você é um especialista em copywriting hoteleiro. Vou descrever um quarto do meu hotel com as suas características. Quero que você o transforme em uma descrição breve (no máximo 5 linhas), calorosa e evocativa, que venda a experiência de se hospedar ali —o que o hóspede vai sentir, ver e aproveitar— e não só uma lista de comodidades. Mantenha um tom profissional e elegante, sem exageros. Estas são as características: [detalhe o seu quarto: tipo, capacidade, vista, serviços, o que o torna especial]»
Em um minuto você terá uma descrição pronta para o seu site, os seus canais e as suas respostas pelo WhatsApp. Uma mudança pequena que pode inclinar a decisão para o seu melhor quarto.
💬 Pergunte ao Gonzalo
Alguns dias atrás, um amigo hoteleiro me fez a seguinte pergunta:
«Como faço para os meus hóspedes reservarem direto em vez de reservarem pelas OTAs?»
É uma das grandes perguntas do setor, e a resposta conecta justamente com o que falamos hoje: não se trata de ganhar das OTAs no preço.
Três ideias que funcionam de verdade, e que estão bem respaldadas pela experiência do setor:
- Premie o canal direto, mas com valor, não com guerra de tarifas. Em vez de baixar o preço, ofereça um benefício: um extra, flexibilidade, um atendimento mais próximo. O objetivo é que reservar direto seja a opção mais conveniente, não só a mais barata.
- Faça com que reservar direto seja simples. Muitas reservas se perdem por fricção: um processo longo ou confuso. Quanto mais fácil e claro for o caminho no seu canal direto, mais hóspedes vão escolhê-lo.
- Seja dono da relação. A OTA pode ser a vitrine onde o hóspede te descobre, mas a conversa direta é onde se constrói o vínculo que faz ele voltar. Esteja presente e responda a tempo.
E se você gostaria de ver como funcionaria um sistema de reservas conversacional no seu próprio hotel, com prazer te mostramos sobre o seu caso concreto. Agende uma demonstração e vemos juntos.
A gente se vê na próxima
Gonzalo